24/08/2011

Confissões... (...a Neruda)

Confissões...
..........(... a Neruda)

Nada sei de Neruda
Senão a Poesia que nos une
E que nos faz tão distantes...

..........Mas, sei de vidas confessadas.
..........De sombras que perseguiam,
..........Dos salões cinzentos
..........E hangares cruéis que insistiam
..........Em se despedir, sem chegadas.

Sei da língua muda.
Escondida em sacros quadris,
Onde nascem o trigo,
E a força de tantas paixões eriçadas...
..........Mas, nada sei de Neruda.

Do mar, sei as ondas.
Crespas melenas,
De minha Helena.
E as velas,
Alvas, esvoaçantes e humildes
Como as de tua Matilde

Mas, do mar sei também o sal...
O mar é sal.
Lágrimas do poeta que pranteia
Sem respostas,
Perguntas que insistiam na areia.

..........Nada sei de Neruda.
..........Mas, também da luz nada sei,
..........Nem de onde vem,
..........Nem para onde vai.

Mas, sei de paredes nuas,
Camas vazias e silêncios
Verdades minhas e suas.
E segredos, muitos segredos,
Guardados qual sussurros,
Em fendas d’alma em degredo.

Nada sei de Neruda.
Mas, queria ter com ele...
Ainda que por uns segundos,
Aqui ou quem sabe, no infinito,
E em reverencial silêncio,
Confessar que eu,
..........Assim como a Poesia,
....................Também o necessito.

Anderson Fabiano

Imagens: Google, editadas pelo autor 

[Poema publicado na II Antologia "Mil Poemas para Neruda" - ed. 2011, organizada pelo poeta chileno Alfred Asís, Cónsul de Isla Negra y Litoral de los Poetas - Poetas del Mundo, lançado no Chile em 09/Julho/2011]

9 comentários:

Sonhadora disse...

Meu querido poeta

Hoje não comento para não estragar o momento...senti apenas este hino à poesia.

Deixo um beijinho com carinho
Sonhadora

mhelena disse...

Eu que amo Neruda e tenho por ele uma enorme admiração por sua sensibilidade, por sua vida repleta de poesia em tudo, percebo que você, caro poeta, sabe tudo sobre Neruda! Que poema maravilhoso este, trazendo Neruda para tão perto, em essência e poesia. Um trabalho admirável e tão raro. Parabéns e grande abraço.

Gaivotadourada22 disse...

Fabiano,

Espetacular Poema... Ao cantar Neruda ilumina-se um Elo, que bem sei, une a dois Poemas numa só Poesia, que se encontrando seguem juntos semeando Amor, Sabedoria e Belezas!!!
Parabéns pela publicação que abrilhanta e dá consistência na homenagem ao Poeta Maior, Neruda!
Abraços!

joaquimdocarmo disse...

Todos necessitamos, amigo e... tanto!
De facto, "nada sei de Neruda", senão que... necessito!
Abraço
Quicas

Helena Chiarello disse...

Barba,

Lembrando aqui do dia em que, diante do convite para participar dessa Antologia, vc disse: "vou tentar alguma coisa". E ficou parado por alguns instantes, em silêncio diante do laptop, olhando a tela como quem contempla o pensamento. Depois, como se tudo já estivesse pronto, como se tudo já estivesse ali, como se tudo estivesse desenhado e acariciado pela inspiração, começou a escrever, sem pausas.

"Tá pronto".

Não sei precisar o tempo, mas sei que foi infinitamente pequeno diante do tamanho e da beleza do que ouvi depois. E enquanto você o lia, fiquei tão comovida (e embasbacada) como agora... rs..

Nem preciso repetir aqui tudo o que disse a você sobre esse poema, porque sei que sabe. E sei que sabe, também, o quanto amei cada palavra! E o quanto amo você.

Te beijo, carinho, beijo!

joaquimdocarmo disse...

Palavras para quê?! Nem os poemas do Pablo e as suas belíssimas palavras pintariam um quadro melhor, Helena - estou certo que o "Barba" concordará comigo!
Perdoem a "intromissão" e recebam meu carinho!
Beijinhos e tenham um bom fim de semana!
Quicas

Milla Pereira disse...

Sabes sim, amigo.. e muito de Neruda. Sensações transformadas em versos plenos de sensibilidade. Amei, beijo grande.

mhelena disse...

Voltei para curtir mais um pouquinho este seu Neruda querido! Poema maravilhso!!!
Bjos

myra disse...

Pablo Neruda, grande!!! como poeta e Homem!
abraços