18/04/2011

Indignação



Indignação

....................Poesia, limite tênue
....................Entre verdade e fantasia.
....................Por vezes, armadilha.

Palavras amontoadas,
Ingaias palavras,
Tomando emprestadas
Máscaras de inocência
Para as maldades disfarçadas.

....................Vida é coisa de tempo.
....................Assim,
....................Princípio, meio e fim.

Finge a ignorância
Dos limites que separam
O real e o irreal.
E por falta de escrúpulos,
E pura cafajestagem,
Finge misturar
Autor e personagem.

....................Não basta o dedo em riste.
....................Ninguém pretere
....................O que não existe.

Aleivosias insanas,
Rondadas por chulas chicanas,
Não cabem no sossego,
Nem corrompem a harmonia
De paixões nascidas
Da mais pura alquimia.

....................Príncipes, cervos, solstícios...?
....................Palavras vãs
....................Servas de manifestos malefícios.

Entendo as Letras
Que brindam o amor,
Encontros e desencontros, talvez...
Mas palavras amontoadas
Por puro sortilégio
Não sobrevivem ao tempo,
Muito menos à razão,
..........Pois apenas são
....................Insanos sacrilégios.

Anderson Fabiano


“Perder-se... Ninguém acha o caminho certo sem se perder antes”. Fabrício Carpinejar

Imagem: Google

17 comentários:

Sonhadora disse...

Meu querido Poeta

As palavras podem ser amor e também podem ser um punhal, como sempre belos e profundos os seus poemas.

Beijinho
Sonhadora

✿ chica disse...

Noooooooooossa ,Fabiano! Li e reli e babei..
Uma obra lindíssima.Parabéns!

Vim agradecer teus arinhos por lá e adorei tudo! Isso faz bem! abração,lindo dia por aí!chica

Menina no Sotão disse...

Não sei se foi a tarde ou a promessa de crepúsculo que já se desenha em mim, mas o ritmo de seus escritos me alcançou com facilidade.
Fui me envolvendo com as linhas e as sensações se precipitaram de forma natural.
Esse amor do qual falas, tal natural quanto o vento, parece soar estranho aos dias atuais em que se parece mais intenso o não sentir. As pessoas preferem libertar-se dos sentimentos, mas não que o façam em prol da razão. Muito pelo contrário, elas apenas desejam não sentir, nada, nem por dentro e nem por fora. E pensar que alguns poetas seguem esse caminho. Bom saber que existem os que conclamam o amor como regência natural.
bacio e bom feriado

Katia Dias disse...

Belo espaço. Fez com que me sentisse privilegiada em meio ao aconchego às letras, às ideias e às emoções, com as reticências necessárias para abrigar surpresas e o que mais vier... Parabéns. Seu trabalho, aqui no blog, é inspirador. E quem inspira um conquista muitos...

manuela barroso disse...

E acontece assim poesia..
Amontoado de sons em palavras
brincando às letras e linhas...
Aquela que sinto, aquela que canta
é como "koisa de criança".
Simples, serena...
Às vezes inquieta...e rápido "susto"...
Outras... misteriosa como a alma Humana!
Abraço
Manuela

Anne Lieri disse...

Anderson,a poesia é mesmo uma faca de dois gumes:pode nos ferir e nos libertar!Ficou maravilhosa sua abordagem sensivel desse tema!Bjs,

Milla Pereira disse...

Querido amigo, estou passando pra matar saudades e deixar a minha marca por aqui. Beijos, Milla

Helena disse...

Algumas pessoas parecem preferir a fantasia à realidade. Em alguns casos, criam vínculos tão fortes entre o real e o imaginário que acabam vivendo a confusão entre os dois, principalmente quando tomam por verdade situações motivadas por empolgação e facilidade de momentos. Enquanto isso está apenas na cabeça delas, tudo bem. Afinal, cada um vive como gosta. Mas quando a fantasia toma outras dimensões, envolvendo pessoas em suas tentativas, é caso de indignação mesmo.
Claro que fantasiar faz parte da vida. Mas é tão melhor o que é vivido, construído, palpável e verdadeiro... A poesia de cada dia é que dará a pitada de fantasia necessária (e saudável) à construção de uma realidade feliz.
Que fossem sempre as letras usadas para aproximar, e não pra tentar dividir...
Enfim, fiquemos apenas com as palavras que aproximam. As outras são tolices. E para as tolices (a frase da Adélia) “não tenho tempo algum, porque ser feliz me consome...”
Beijo, amo, beijo...

mhelena disse...

É verdade, caro poeta, um amontoado de palavras ou letras não se tornam poesia a não ser que justapostas de forma a revelar o âmago de uma emoção. Assim encontramos em Murilo Mendes: "A palavra - nasce-me, fere-me, mata-me, coisa-me e ressuscita-me". Quando a palavra é poesia.
Bjos

Tatiana disse...

Que tem a vida entrelaçada ao dom poético faz do sentir uma obra de arte... Fiquei encantada com o que li! Parabéns Poeta!
Desejo que a sua semana seja rica em dádivas.
Um beijo carinhoso

Nosalai disse...

Quantas interpretações!
Mas aqui "Entendo as Letras
Que brindam o amor,
Encontros e desencontros, talvez...
Mas palavras amontoadas
Por puro sortilégio
Não sobrevivem ao tempo,
Muito menos à razão,
..........Pois apenas são
....................Insanos sacrilégios."

Eu entendo perfeitamente,nada sobrevive ao tempo. Eu também não acredito no tempo, pois ele não existe da forma como o simplória que o conhecemos e classificamos. O que não sobrevive à razão, já não sobrevive a mais nada e o desfecho é com chave de ouro!
É um poema a ser lido e ser pensado e ser aplicado no nosso cotidiano.
Vim agradecer o seu carinho no meu blog que tanto me honra e pedir um espaço e licença e para estar por aqui a apreciar tanta sabedoria!

Um beijo e um ótimo final de sábado!

Ricardo Miñana disse...

Un bello y reflexivo poema,
un placer pasar a leerte.
que tengas un feliz fin de semana.
un abrazo.

Jorge Pimenta disse...

"Perder-se... Ninguém acha o caminho certo sem se perder antes”.
Fabrício Carpinejar

porque não se desdenha da viagem, persigo-a, mas apenas sei que o anjo não tem outro rosto senão o teu, algures entre as folhas tímidas do trevo. e o orvalho é o universo!

um abraço, anderson!

© Piedade Araújo Sol disse...

seja benvindo ao meu mar.

obrigada

um beij

Baby disse...

De volta a este mundo de palavras encantadas, quero ignorar os limites "que separam o real do irreal" e mergulhar sem reservas neste mar de poesia...
Um abraço.

myra disse...

teus poemas sao verdadeiramente belissssimos! pena eu nao saber te escrever coisas tao lindas...
sabe eu me perdi sempre na minha vida, e acho que ainda nao me encontrei em realidade:))
voce merece toda minha dmiraçao e um enorme abraço com muito carinho!

manuela barroso disse...

...não me canso de vir ler esta poesia...
E, agora, ocorre-me..." o poeta é um finfidor..."
Umas vezes finge...outras grita...outras esconde-se...!

Aproveito-os conforme os estados
de alma. Mas será sempre uma das partes de mim!
Beijinho