03/03/2010

Sonhos de chumbo


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...............................................“...Mas não diga nada
...............................................Que me viu chorando
...............................................E pros “da pesada”
...............................................Diz que vou levando...”
...............................................Samba de Orly - Chico Buarque,

...............................................Toquinho e Vinicius de Moraes


Sonhos de chumbo

Roubaram minha inocência
E não souberam o que fazer com ela.
Violaram minha esperança,
Tentaram frustrar meu depois...
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Hoje, enfiados em seus pijamas estrelados
Contentam-se com missas de domingo,
Filhos obedientes às mesas anistiadas
E esposas submissas e caladas.
.......................todos, sem céus sobre as cabeças.
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Profanado em minha essência,
Fui lugar vazio na mesa das Mães de Maio,
Joguete em calabouços fétidos
Mas, refiz meus amanhãs...
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Hoje, dormindo nu e livre
Faço amor das cicatrizes
E poesia com as estrelas
Que roubei de seus ombros
....................E devolvi, vingado, aos céus.

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Anderson Fabiano
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Imagem: Google

30 comentários:

Secreta disse...

Um poema que marca profundamente.
Beijito.

El ave peregrina disse...

Cantas veces amigo Fabiano cúlpase ao inocente, córtanselle as ás sen merecelo...e os seus soños son partidos en mil pedazos...Como ben dis, rouban e profanan esa esencia integra coa que todos nacemos...

Un abrazo amigo.

Helena disse...

Sabe o quanto me comove esse poema, especialmente por saber o que o ditou...

Disse no RL e digo outra vez aqui... Pode-se tentar tirar de um homem a inocência, a esperança, a crença, a voz. Mas há coisas que não se roubam. Algemas não prendem a vontade. Porões não encerram ideais e verdade. Holofotes não cegam pensamento, sonho e fé. Hoje, felizmente aos “amanhãs refeitos”, a “arara” pode cantar novas, esplêndidas e vitoriosas canções. A voz é clara, respeitada e ainda maior. A poesia e o amor conseguem sobrepor-se às cicatrizes. A esperança é capaz de renascer como o sol que vem depois de cada sono “nu e livre”. E a dignidade se mantém erguida com a força de um braço que sabe como nenhum devolver estrelas aos céus...

Imenso esse poema!

E diante de tanto, não há mais o que eu consiga dizer, barba... Há apenas o silêncio comovido e a certeza de que leio, em cada olhar, palavra e gesto, a tua alma poeta, iluminada... e livre.

Te beijo, amo, beijo...

vuelo de hada... disse...

Nadie esta excento de tener sueños de plomo, aquellos irrealizables o aquellos que por cosas de la vida son simplemente frustrados, pero siempre hay una luz al final del camino y debemos seguir intentando no perderlos.
Hermosos versos
Un abrazo

Xiomara Beatriz disse...

Sueños de plomo en mi país se suscitan ….la esperanza quieren sucumbirla bajo el fusil …obedientes borregos quieren tener…sin pensamientos propios…un poema intenso …que toca la fibra de mi corazón…Fabiano tienes mi cariño mi buen amigo te dejo besos

Sonhadora disse...

Meu amigo
Um poema lindo, muito profundo.

.
Hoje, dormindo nu e livre
Faço amor das cicatrizes
E poesia com as estrelas
Que roubei de seus ombros
....................E devolvi, vingado, aos céus.


Adorei, diz muito.

Beijinhos
Sonhadora

Triste Flor disse...

Li com a alma... perfeito, parabéns...

TORO SALVAJE disse...

Excelente poesía.
La foto duele.

Saludos.

Maria Helena Sleutjes disse...

Ser o que se é o tempo todo é nosso maior desafio e seu poema é uma demonstração de força e nobreza.
Bjos

Niniane disse...

Por vezes dou por mim a perguntar onde se consegue tanta intensidade em cada palavra...

Beijinho
***

quicas disse...

Fuga perfeita "à banalidade de uma vida sem emoções"... despido de sonhos pesados, parece feliz (e vingado) na sua liberdade
Abraço

Alís disse...

Duele tu poema, en el que me agarro con fuerza a la estrofa final para seguir creyendo.
Un beso, Fabiano

Alís disse...

Ah, y muchas, muchas gracias por tu apoyo.
Beijo

Sonia Schmorantz disse...

Um poema comovente, encantador!
Um abraço e ótimo fim de semana

Regina Rozenbaum disse...

Anderson, amado!
Cheguei tarde e por isso com tudo que já foi escrito fica difícil acrescentar! Só mesmo minha emoção diante da última estrofe...BACANÉRRIMO é pouco! "Vem vamos embora que esperar não é fazer...quem sabe faz a hora não espera acontecer".
Beijuuss n.c. e um fds abençoado

www.toforatodentro.blogspot.com

Estela disse...

Para quem viveu, devem restar as marcas, para quem não viveu e as sabe, ficam as lembranças de coisas não vividas, mas de alguma forma sentidas...
Não vivi, mas sinto. Estranho, né?

Abraços!!

Desnuda disse...

Anderson,

que lindo poema! Apenas uma única exclamação para uma imensidão de prazer que este poema desperta. Obrigada

"...Hoje, dormindo nu e livre
Faço amor das cicatrizes
E poesia com as estrelas
Que roubei de seus ombros
....................E devolvi, vingado, aos céus."


* Vi ao lado seus livros... Vou enviar um email ao poeta.

Bom fim de semana!

Angela Ladeiro disse...

Um tema tratado como ele deve ser... gostei muito. Se lhe apetecer, vá tomar um chá comigo, na minha casa virtual...

Luísa disse...

É difícil conviver com o tilintar o chumbo,
com o berro dado ao recebê-lo
Com a dor sentida por ter que o oferecer!
Ñada desculpa uma guerra pelo sofrimento que ela traz!
Mas, apesar de tudo, é bom aprendermos a dar a volta por cima e saber "ler as cicatrizes", para evitarmos novo sofrer.
Parabéns pelo poema e muito obrigada pela visita ao olhardeperto.
Beijinho terno

Mar Arável disse...

Bem-vindo ao meu mar

Chica disse...

Um poema de uma profundidade enorme , de um tempo que passamos e que não podemos esquecer nunca....Impressionante! abração,tudo de bom,chica

Ana Martins disse...

Para ler, reler e interiorizar, façamos amor das cicatrizes e o mundo será mais belo!

Adorei!!!

Beijinhos,
Ana Martins

Vieira Calado disse...

É preciso nunca perder a esperança, como sugere.

Um abraço

myra disse...

aqui estou! este poema è fabuloso, adorei as metaforas, todo teu blog é estupendo!!!! que bom que voce me deu seu endereço!
vou ler mais com calma, sabe tenho outro blog -digamos dedicado ao meu irmao, do Rio de janeiro, que infelizmente foi-se o ano passado...mas eu continuo pondo trechos de seus textos e livros . E converso com ele...nao, nao estou doida, mas assim fizemos tantos anos separados, ele atras do computer como eu...Se quizer pode ver.

www.gigi-myra.blogspot.com

e tenho um site de mis pinturas:

www.myralandau.com

tudo se tiver tempo, logico!
um enorme abraCo, cheio de admiraçao,e agradecimento de que vcoe um escritor de verdade tenha vindo me ver....

Wania disse...

Anderson Fabiano

Como é bom quando se consegue, apesar de tudo, refazer a amanhã!

Isso é possível somente para àqueles que fazem amor das cicatrizes e poesia com as estrelas, dão soco no sereno e sentem o perfume das palavras!


Que liiiiindo o teu cantinho, quanta sensibilidade!
Eu também amo a vida, as emoçoes, os sentimentos, as paixões...eu também AMO SIM!!


Vim agradecer a doçura das palavras que deixaste registrado lá no Encataventos. Espero que isso seja o começo de uma grande troca entre nós.

Obrigada mais um vez,
Voltarei sempre.

Bjs,
Wania

Graça disse...

Lindíssimo grito poético, pela verdade... adorei.


Um beijo para a tua semana.

Silvana Nunes .'. disse...

Que fuga.
Boa semana para você.
Beijo grande.

Tatiana disse...

Obrigada por sua presença e palavras deixadas em meu blog.

Um poema extremamente emocionante!

Um abraço carinhoso

Anônimo disse...

Ooooi!

...não só o lugar na mesa das mães de maio, mas tb o lugar na mesa das irmães caçula... O bom meu querido, foi o resultado final!
É te ver assim, acreditando no amor, na poesia, e principalmente, defendo as suas verdades.
Beijos meu anjinho,
Leka.

Mai disse...

Um 'cálice' e no disfarce da palavra, o grito. Anos de chumbo e o peso do couro nas costas.
Importa que as cicatrizes, tanto marcaram quanto libertaram.


abraços